“A Esperança na vida versus a cultura do medo”

Por Jane Maiolo
De onde vem o sentimento do medo? Por que temos medo de sentir medo? O que desperta a inquietação na alma ate o perigo até mesmo imaginário?
Questiona-se aqui apenas o medo comum, o medo nosso de cada dia e não o medo síndrome, o medo patológico, o medo transtorno e psicossomático.
Grandes personalidades da humanidade admitem que têm medos ou já passaram por situações que desencadearam medos terríveis.
A cultura do medo cerceia a liberdade do homem impedindo-o de viver livremente, sem amarras. Temos medos de muitas coisas. Temos medo de falar, de ouvir, de pensar, de tocar, de sentir. Medos inexplicáveis que nem ousamos achar as respostas. Estamos atrofiando os nossos sentidos por medo.
Incorporamos até mesmo o medo alheio. Tememos assaltos, estourar o cheque especial, tememos andar bem vestidos, mal vestidos. Temos medo de errar, de viver e de morrer.
Somos assim, seres amedrontados que temem até mesmo as críticas, e muito de nós preferimos passar uma vida toda no anonimato a nos expor a uma situação que nos colocaria em evidência.
Se o ditado popular diz: filho de peixe... peixinho é, então devemos por convicção entender que filho de Deus... deusinho é. Somos isso! Deusinhos e somos capazes de nos livrar dos medos, dos preconceitos, do egoísmo, do orgulho, enfim, das amarras e superar nossas deficiências.
A cultura do medo é instalada desde o berço, veja bem. Quando embalamos nossos filhos para niná-los cantamos as cantigas: boi-da-cara-preta nana nenê que a cuca vem pegar, enfim, desde pequenos somos ensinados, condicionados, consciente ou inconscientemente, que devemos temer algo, alguém ou alguma coisa. Tememos até mesmo Deus.
Mas não é esse o sentido da vida, deveríamos instalar desde o berço a esperança, a confiança, a cultura do afeto, pois lembrem-se: filho de Deus... deusinho é!
Somos criaturas com potencial afetivo imenso, amamos com facilidade nos apaixonamos constantemente pela vida, pelas coisas, pelas pessoas, basta encontrarmos um caminho para a vida valer a pena.
A cultura do medo deve ser banida da sociedade, assim como a corrupção, a ironia, a desvalorização do ser humano.
Não é essa uma visão ingênua, romântica, e utópica, mas uma visão corajosa, esperançosa e idealista, sei que vale a pena investir nos princípios (muitas vezes sinônimo de afeto), nos conceitos, valores e atitudes do ser humano, um ser incrível, magnífico e curioso, como afirmo sempre.
A cultura da esperança se inicia com o direito à liberdade, um sorriso e um gesto de confiança.
A teoria de Erickson nos revela que nos primeiros meses de vida, o bebê adquire a confiança ou o medo que perdurarão pela vida toda. Salvo os casos de análises, terapias, etc.
A criança maltratada cresce rancorosa e agressiva. Humilhada, acumula sentimento de culpa, revolta e inferioridade e lembrem-se que um dia serão adultos e essas características poderão acompanhá-la.
Quando instalamos a cultura da esperança e tratamos com justiça e afeto nossas crianças, elas desenvolvem o respeito, a confiança o sentimento de amizade, aprende a gostar de si e dos outros e são extremamente afetuosas.
Falar em esperança é acreditar que somos brasileiros e podemos mudar nossas vidas. Sei que muitos pensam em roubar os nossos sonhos, enlameando nossa história com corrupções, mensalões e despautérios, mas é preciso acreditar que é chegado o momento da guinada, onde a esperança vence o medo e não se pode mais roubar a esperança de uma nação que aprendeu a aceitar tantos medos, adversidades e pluralidades. Somos brasileiros, deusinhos e não podemos desistir nunca.
Quando somos jovens perdemos a saúde correndo atrás do dinheiro e quando envelhecemos, gastamos todo o dinheiro correndo atrás da saúde. Realmente não entendemos a nossa proposta para a vida, falta-nos a esperança!
Nunca li em bula de remédio nenhum medicamento que aumentasse a esperança, esse componente tão imprescindível para nossa sobrevivência. Célebre a frase do autor que diz: “Se quiser matar um homem, rouba-lhe a esperança”. O único remédio capaz de aumentar nossa esperança é aquele que encontramos somente dentro de nós. O medo não deve ser causa do nosso insucesso.
A esperança significa luta, mudança, fé em conseguir o que se deseja, e negar a nós mesmos esse talento é ato de profunda covardia.
Redescobrir o verdadeiro sentido da vida é dar-nos a chance de um futuro feliz e isso é esperança pura e viva.
Priorize seus momentos, descubra o que valha a pena, ame, perdoe, sorria, pois amanhã é outro dia. Seja feliz, com esperança e sem medos.
*Jane Maiolo é professora de ensino fundamental e dirigente espírita na cidade de Jales/SP